segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Uma voz profética no Senado

O dia 21 de dezembro de 2010 trouxe para os senadores um fato inesperado e para a Igreja a certeza de que a profecia não caiu, como pediu dom Helder Cãmara à Marcelo Barros poucos dias antes de sua morte.

O senador Inácio Arruda ( PCdoB-CE) indicou dom Manuel Edmilson da Cruz, bispo emérito da diocese de Limoeiro do Norte, para receber a comenda "Direitos Humanos Dom Helder Cãmara." Dom Edmilson surpreendeu os senadores, quando no plenário da casa recusou a comenda.

Em sua fala dom Edmilson lamentou o aumento que os senadores deram a si mesmos de 61%, enquanto o salário dos trabalhadores sobe em "rítimos de lesmas". "Quem assim procedeu não é parlamentar. É para lamentar", disse dom Edmilson.

O gesto profético de dom Edmilson, nesse tempo de natal, nos indica que a estrela de belém continua anunciando uma grande esperança. Que a ousadia desse profeta, dom Edmilson, nos inspire no florescer de uma Igreja profética.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fórum de Aracati é ocupado pela OPA

A Organização Popular do Aracati - OPA - ocupou por quatro horas, hoje 07 de dezembro, o Fórum Min. Jesus Costa Lima, em Aacati.

A principal pauta de reinvidicação das comunidades Canapum, Venãncio, Ilha São José, Cajueiro, Morrinhos, Cumbe e Aroeira Vilany é a celeridade, por parte da justiça, dos processos enviados pelo Ministério Público contra as empresas de carcinicultura, que com o empreedimento vem afetando as comunidades.

Segundo a OPA, em carta aberta à população aracatiense, "o meio ambiente encontra-se degradado com áreas de preservação devastadas, águas salinizadas, mortandade de mariscos e peixes, aterramento de lagoas e uma infinidade de problemas que já deveriam ter sido resolvidos, não fosse a morosidade da justiça e o descaso dos governos Federal, Estadual e Municipal."

Para João Batista, da Comunidade do Cajueiro, "essa ocupação foi positiva no sentido de mostrar a força dos pequenos quando se juntam para reivindicar os seus direitos negados." Na opinião de Socorrinha, da Comunidade de Canapum, "o fato de as comunidades terem sido recebidas pelos Juizes se deu pela organização e articulação" e acrescentou: "nós saimos mais fortalecidos ".

A OPA tem nove meses de gestação. Para todos os que fazem parte dessa organização, hoje foi o dia do seu nascimento.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CEBs de Fortaleza realiza assembléia em clima de refundação

O espírito de refundação esteve presente durante toda a assembléia das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs - de Fortaleza. A assembléia aconteceu dos dias 26 a 28 de novembro de 2010, no Centro de Pastoral Maria Mãe da Igreja.

Cerca de cem representantes de comunidades da periferia e das regiões da praia, serra e sertão da arquidiocese participaram da assembléia, que teve como objetivo principal o estudo do documento 92 da CNBB - Mensagem ao Povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base.

Pe. Vileci Vidal, secretário do 13º Intereclesial, esteve presente à assembléia para expor o processo de preparação feito até o momento. Vidal esclareceu sobre a necessidade de um envolvimento de todas as dioceses do Regional no acolhimento do 13º Intereclesial que aontecerá em Julho de 2013 na diocese do Crato.



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Caldeirão do beato José Lourenço é inspiração profética para as CEBs

Era madrugada do dia 19 de setembro de 2010 quando os participantes da XVII assembléia de CEBs do regional NE I -Ceará partiram em romaria para o Caldeirão do Beato José Lourenço. Em meio a poeira e a vegetação seca, a certeza de que o Calderão continua vivo e de que lutar pela vida não é em vão. As Comunidades Eclesiais de Base jamais "deixarão cair a profecia", Dom Helder.

A comunidade do Caldeirão do beato José Lourenço ficava nas terras do Pe. Cícero no município do Crato. Ela era pautada pelo tripé: oração, trabalho e abundância. No ano de 1926 a população era de 200 pessoas, aumentando consideravemente com a seca de 1932. Em 1936 chegou a 2000 habitantes. O caldeirão, segundo Pe. Vileci Vidal, "tornou-se sinal de liberdade camponesa, onde se prosperou uma vida baseada na experiência das primeiras comunidades cristãs."

A 11ª romaria do Caldeirão do beato José Lourenço teve como tema: Vida em primeiro lugar, tema do 16º grito dos excluídos 2010. Nos tempos atuais o Caldeirão continua sendo referência e inspiração profética para as CEBs.

13º Intereclesial é pauta da XVII assembléia de CEBs do regional NE I

Aconteceu de 17 a 19 de setembro de 2010 em Crato - Ceará, a XVII assembléia das Comunidades Eclesiais de Base do Regional NE I. O tema do encontro: Justiça e Profecia a serviço da Vida e o lema: CEBs - Romeiras do Reino no Campo e na Cidade, já fizeram com que os participantes da assembléia, vindos de 8 dioceses do regional, entrassem no clima do 13º Intereclesial.

Padre Anastácio, assessor da assembléia, destaca que é importante cada diocese entender o intereclesial já acontencendo. Para ele, 2013 será a celebração do que as comunidades vivenciarem durante este tempo de preparação. "A defesa da vida, na prática da justiça e da profecia é a retomada daquilo que nos identifica, diz Padre Anastácio."















A assembléia, além de estudo, possibilitou também a partilha da caminhada das dioceses e os encaminhamentos para o 13º intereclesial enquanto regional.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Paróquia de Aracati acolhe 16º Grito dos Excluídos e Excluídas da diocese

A 16ª edição do grito dos excluídos e excluídas da diocese de Limoeiro está marcada para acontecer na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Aracati. A concentração e acolhida se dará na comunidade de Pedregal, a partir das 15h do dia 7 de setembro de 2010. De lá sairá uma marcha com diversas paradas percorrendo as ruas de Aracati. As paradas darão o tom da 16ª edição do grito na diocese, pois questões como agronegócio, meio ambiente e carcinicultura, eólicas e turismo irresponsável e regularização fundiária serão abordadas. O encerramento está previsto para as 20h no largo da Igreja Matriz.

Anunciar, em diferentes espaços e manifestações populares, sinais de esperança com a perspectiva de transformação através da unidade, organização e das lutas populares e denunciar todas as formas de injustiças promovidas pelo sistema capitalista implantado em nosso país, que causa a destruição e a precarização da vida do povo e do planeta é o objetivo da 16ª edição do grito dos/as excluídos/as.

Embora se diga que o Brasil avançou e que são muitas as melhorias e benefícios alcançados pela população, há uma realidade sufocada que precisa ser gritada. São rostos desfigurados de crianças, de jovens, de idosos, de mulheres e homens, como nos fala o documento de Puebla, que continuam à margem de um sistema excludente que visa o progresso para uma pequena minoria. Por isso o lema do 16º grito dos excluídos e excluídas: Onde estão nossos direitos? Vamos às ruas construir um projeto popular.

É nesse contexto que o grito desse ano traz como proposta a participação no plebiscito popular pelo limite da propriedade da terra. No Brasil desde a chegada dos europeus, em 1500, a concentração de terra é grande. O plebiscito tem o objetivo de conscientizar e mobilizar a sociedade brasileira para a realidade agrária do país.

O grito dos excluídos e das excluídas teve sua origem no setor pastoral social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele nasce como continuidade à reflexão da Campanha da Fraternidade de 1995 que abordava o tema Fraternidade e Excluídos. É uma manifestação popular, espaço de animação e profecia que envolve pessoas, grupos, entidades, Igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos e excluídas.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

MST reivindica melhorias para assentamentos em Aracati

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), com o apoio da Organização Popular de Aracati (OPA), acampou em frente a Secretaria de Administração da Prefeitura de Aracati, nos dias 27 e 28 de julho de 2010. Na pauta as reivindicações trazidas por quatro comunidades assentadas, cerca de 300 trabalhadores e trabalhadoras. Entre as reivindicações estavam a melhoria de estradas, atendimento médico, recuperação e construção de escolas, apoio as iniciativas de geração de renda e garantia do recebimento do seguro safra.

Na chegada, dia 27, os trabalhadores foram recebidos com os portões lacrados e spray de pimenta. Um forte aparato policial foi montado como se estivessem preparados para uma guerra. O prefeito municipal, Expedito Ferreira, mandou comunicar, através de seu secretariado, que não se encontrava em Aracati. A audiência com o movimento foi agendada para às 10:00h do dia 28.

Após 5 horas de negociações, o movimento decidiu por encerrar a manifestação. Na avaliãção do MST, o saldo foi positivo. A maioria da pauta foi encaminhada. O passo agora é de monitoramento. E caso os prazos dados pela gestão municipal não se cumpram, segundo o movimento, a luta continua.