sexta-feira, 8 de maio de 2015

Comuna de Aracati rompe com a lógica do Capital especulativo


A ocupação  
Às 5h00 da manhã deste domingo, 03 , cerca de 300 famílias sem moradia ocuparam um terreno urbano em Aracati. O terreno está localizado na Avenida Dragão do Mar e antigamente era sede de uma grande cerâmica, hoje abandonada. A ocupação, chamada de Comuna, faz parte, segundo Paulo Henrique Campos, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, de uma estratégia do movimento de repensar a cidade a partir da ótica dos que são invisíveis pela lógica do capital. Há uma grande especulação imobiliária urbana e trata-se do mesmo inimigo que está no campo. A comuna, diz Campos, nasceu em São Paulo e hoje se encontra em várias regiões do país. Aqui no Ceará, a primeira Comuna, 17 de abril, aconteceu em Fortaleza, no latifúndio da família Montenegro.
 

A negociação

  
Acampadas, as famílias começaram a se organizar, limpar o terreno, construir o barracão coletivo e a medir o espaço de suas barracas. Ao mesmo tempo, a coordenação formada pela Organização Populaar de Aracati - OPA e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST, agilizava as negociações com os governos municipal e estadual. Enquanto isso, receberam por três vezes a visita da polícia militar, inclusive do Major querendo intermediar em favor do suposto dono do terreno. Na tarde de segunda-feira, 04, um canal de negociação foi aberto com o governo do estado, que sinalizou de forma positiva a construção das moradias. Elisângela Gomes, militante do MST, participou da negociação e disse que o secretário das cidades, Ivo Gomes, se comprometeu em incluir as moradias dentro do novo programa Minha Casa minha Vida do governo federal. Também, ainda segundo Elisângela, o secretário se comprometeu com a negociação do terreno.



O vandalismo do proprietário

Duas horas da manhã do dia 05 escutam-se os tiros e as redes indo ao chão. Era o proprietário do terreno com a sua milícia, cerca de 60 homens fortemente armados, colocando as famílias para fora sem mesmo terem o direito de tirarem os seus pertences. Muita coisa foi destruída e nos barracos atearam fogo. "Eles chegaram chamando a gente de vagabundos, torando as cordas da rede e atirando", afirmou dona Francisca, uma das famílias acampadas. Apavoradas, as famílias ligaram para o Major, na esperança de encontrarem proteção do Estado, mas, segundo os organizadores, grande foi a decepção quando chegaram as viaturas, pois nitidamente ficaram do lado de lá com as armas apontadas para os desabrigados.



A resistência
 

Mesmo com a repressão, as famílias continuaram acampadas na avenida, vendo amanhecer o dia. Às 8h30 da manhã estava marcada uma audiência com o prefeito de Aracati, Ivan Silvério. Na audiência, ficou acordado que a prefeitura irá começar o cadastro das famílias nessa sexta-feira, 08, também garantiu a doação de lonas, água e cestas básicas. Cantando "essa luta é nossa, essa luta é do povo e só lutando se constrói um Brasil novo", as famílias saíram em marcha e ocuparam o terreno que, segundo informações, pertence ao Departamento Estadual de Rodovias - DER, ao lado do Hospital Municipal Doutor Eduardo Dias. Para Josenilson Correia, militante da Organização Popular de Aracati, é extraordinária a força que vem do povo. Ele tem um poder que muitas vezes não sabe que tem. E esse é o papel das organizações: ajudar o povo a despertar e descobrir esse potencial para lutar pelos seus direitos, finaliza Correia..








domingo, 3 de maio de 2015

CONSTRUÍNDO PODER POPULAR


 


"Sem o povo no poder,
 toda democracia é uma ditadura disfarçada."
Autor/a desconhecido/a

Por Josenilson Doddy

Como correlacionar poder com igualdade, se o poder lembra autoritarismo, superioridade de um ser sobre outro, onde quem obtém sente-se no direito de decidir a vida de um todo, sem nenhum senso de pensamento coletivo, fazendo de suas ações atos injustos e desiguais? És que daí surge uma enorme necessidade de se construir um poder que emane do povo para o povo, um poder que traga igualdade e não superioridade, onde cada um/a que participa soma e é fundamental em sua construção, pois este se consolida da união e da força desse todo.
Vivemos numa sociedade que nos manipula a todo instante, fazendo-nos obedecer severamente seus princípios hierárquicos, onde nos ensina a sermos passivos para não alterar a ordem de seu sistema, pois seu modelo beneficia claramente uns poucos que se dizem donos do poder e que, com isso, traçam muitas estratégias, utilizando todas as suas ferramentas no seu processo manipulatório, buscando manter seu sistema a todo custo, sendo que este prega um poder estabelecido através de uma ordem piramidal, onde a maioria (a base) sustenta as crises e movem todo processo evolutivo, mas é a minoria que decide e comanda tudo.
Porém, é nas crises que surgem as necessidades mais gritantes de organização daqueles que fazem parte da base da então pirâmide. Esse período vem acompanhado de muita aprendizagem e compreensão do modelo desigual que se vive. As insatisfações e a desvalorização da vida do povo fazem com que o mesmo comece a se organizar e a buscar a igualdade, contrariando a ordem do sistema que prega que a hierarquia é necessária para que a ordem das coisas se estabeleça e haja controle.
A organização do povo se dá pelo processo formativo, onde os mesmos podem compreender o porquê se organizar e lutar para conquistar essa igualdade efetiva e real de direitos. Se não houver esta compreensão, jamais haverá poder popular, pois o mesmo não se constrói apenas com muitas pessoas organizadas, mas sim com pessoas que compreendam o porquê estão se organizando e por quem estão lutando, pois de nada adianta se organizar para defender ideais que não favoreçam ao próprio povo.
O atual modelo de democracia é apontado como um dos caminhos de igualdade. Nela se diz que em uma sociedade democrática todos participam das tomadas de decisões e das mudanças estabelecidas. Porém, isso acontece de forma indireta, pois o modelo representativo é aliado ao poder hierárquico, onde o povo jamais terá a oportunidade de decidir algo que corresponda as suas necessidades. Aqueles tachados como representantes do povo não estão em prol do povo, mas sim dos que comandam o topo da pirâmide.
A situação em que se encontra a maioria da população é algo tão gritante, que as inquietações geradas fazem com que o povo vá às ruas e, com seus gritos, busquem a tão sonhada igualdade. Porém, muitas vezes estas pessoas vão porque se deixam levar pelo o sentimento de indignação, somente, podendo ser usadas, pois não se compreende porque e por quem estão lutando, defendendo por vezes ideais que jamais irão beneficiar o próprio povo.
O poder popular não se constrói apenas da organização do povo, mas sim de toda uma compreensão de quem é o povo, quais ideais defender, porque e para quem se luta, tudo isso fazendo parte do processo formativo. A partir desses aspectos é possível construir um poder que emane do povo para o povo e que seja capaz de derrubar todo esse sistema hierárquico em que vivemos. É através do poder popular que construiremos uma nova sociedade, igual e justa. “O povo que ousa lutar, constrói o poder popular!”.