quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Mantenham as lâmpadas acesas"


A assembléia arquidiocesana das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) aconteceu nos dias 18 e19 de abril. Para nós foi muito mais do que um reafirmar de identidade, mas uma grande certeza de que estamos no caminho certo.

Ao longo de toda a assembléia o nosso sempre pastor nos acompanhou com seu olhar penetrante e o sorriso de quem acredita e apoia a caminhada. O painel de dom Aloisio estava aí na sala e sentimos que ele nos encorajava dizendo: "Mantenham as lâmpadas acesas."

E se depender de cada um e cada uma que ali se encontrava estas lâmpadas jamais se apagarão. O nosso jeito de ser Igreja continuará sendo o de uma Igreja que avança para águas mais profundas, com um pensar e agir críticos à luz de uma leitura libertadora da Palavra de Deus.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Não deixe cair a profecia"


A profecia foi sempre uma marca na caminhada do povo de Deus. Ela nasce justamente no momento em que começa a acontecer os desvios, quando se deixa de praticar o direito e a justiça. Os profetas são aqueles que alertam para o rompimento da aliança e convocam para a renovação da missão, do compromisso com o Deus da vida.

Nos nossos dias, nos perguntamos: O que aconteceu com a profecia? Para onde estamos caminhando? Como diz dom Pedro Casaldáliga "Deus e os pobres continuam presentes". Por isso, enquanto houver oprimidos no meio de nós, não podemos deixar de denunciar as injustiças e anunciar a presença do Reino.

Em seu livro, A profecia na Igreja, José Comblin recorda as últimas palavras de dom Helder para o monge beneditino Marcelo Barros: "Não deixe cair a profecia". Acolhamos este forte apelo de dom Helder que jamais se deixou abater pelos opressores do povo e continuemos o seu legado e de tantos outros irmãos e irmãs que deram a vida levantando suas vozes em defesa dos pequenos.




quinta-feira, 2 de abril de 2009

Páscoa

Um dia Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e numa alta montanha transfigurou-se diante deles. Os três ficaram tão maravilhados que queriam armar tendas e permanecer ali. O mestre, porém os fez entender que é preciso descer a montnaha, pois lá embaixo há uma realidade que precisa ser transfigurada.


O número dos crucificados aumentam a cada dia entre nós, basta um olhar atento para as nossas ruas e praças e veremos crianças e adultos sendo desreipeitados em seus direitos fundamentais. Há clamores de sem tetos, sem terra, sem salários...vítimas de um sistema excludente.


Nossa meta como discípulos-missionários é a páscoa, a vitória da vida sobre a morte. Esta é a resposta que Deus-Pai deu àqueles que pretendiam ter a última palavra, ressuscitando o filho e dizendo sim as suas pretensões. Por isso não temamos denunciar todo tipo de injustiça e nos colocar em defesa da vida.

terça-feira, 31 de março de 2009

Rumo a Porto Velho

Aconteceu de 27 a 29 de março o seminário regional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) do Regional Nordeste I - Ceará. O seminário teve como objetivo preparar os delegados que irão participar do 12º intereclesial no mês de julho em Porto Velho.

O assessor do semínario, padre Luiz Ceppi destacou em sua fala a importância das Cebs jamais perderem de vista a sua identidade. "O que vale não é o número, mas uma Igreja pequena, seguidora de Jesus Cristo", disse Ceppi.

As Cebs têm que continuar o seu olhar para longe, sensível aos clamores dos excluídos e excluídas da sociedade. A defesa da vida deve ser sempre a bandeira de luta. Como instrumento do Reino de Deus, as Cebs continuam plantando as sementes da boa nova de Jesus.



quinta-feira, 26 de março de 2009

Espiritualidade Libertadora


A Espiritualidade das Comunidades Eclesiais de Base ( CEBs) não poderia ser outra se não a espiritualidade de Jesus de Nazaré. O teólogo Gustavo Gutiérrez diz que "ser cristão é ter Jesus Cristo como referência para a vida." É Ele, Jesus de Nazaré, quem nos convoca permanentemente a sermos discípulos e discípulas do Reino na história.
Seguir Jesus é estar disposto a fazer a experiência de Deus na vida cotidiana, Deus do Reino, dos pobres e da libertação. O critério fundamental, segundo O teólogo Faustino Teixeira, é por-se a caminho com Jesus, sobretudo no sentido da solidariedade com os mais empobrecidos e excluídos da sociedade.
As Comunidades Eclesiais de Base têm consciência de que "fora do mundo não há salvação". Trata-se, portanto, de uma espiritualidade capaz de perceber o homem e a mulher dentro de realidades concretas e comprometidos na recriação de novas relações consigo mesmos e com o cosmos. Descobre-se nas CEBs que se chega ao céu através da terra.

sexta-feira, 20 de março de 2009

CEBs: Ecologia e Missão


Em Julho de 2009 o 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base ( CEBs ), que acontecerá em Porto Velho-RO, terá como tema: CEBs Ecologia e Missão. Os Intereclesiais têm se constituído, além de espaço privilegiado da partilha de experiências e reflexões das comunidades de base, em rico manancial de animação da vida das CEBs. Para Roberto Malvezzi, membro da Comissão da Pastoral da Terra ( CPT), essa nova temática do Intereclesial de 2009 traz as Comunidades Eclesiais de Base para o coração dos novos desafios humanos e planetários.

É no final da década de 50 e início da década de 60, segundo o padre Benedito Ferraro, assessor nacional das CEBs, que se dá o seu nascimento. “Elas pipocaram um pouco por todo o Brasil, pela América Latina e pelo Caribe, no campo e na cidade”, diz Ferraro. Para ele o batismo aconteceu com a Conferência do Episcopado Latino Americano em Medellín no ano de 1968, sendo confirmada pela Conferência de Puebla no ano de 1979.

Para Faustino Teixeira, teólogo e assessor, a experiência das Comunidades Eclesiais de Base tem constituído a grande e original contribuição da Igreja universal. Segundo Teixeira, na trilha aberta pela renovação eclesiológica do Concílio Vaticano II (1962 – 1965) e do impulso da Conferência de Medellín, as CEBs foram se firmando como uma nova forma de ser Igreja, caracterizada sobretudo, pela corajosa opção pelos pobres e pela libertação integral.

“Os membros das CEBs têm uma atuação especialmente intensa nas pastorais sociais: pastoral operária, pastoral da terra, indígena, da saúde, da criança, dos pescadores, dos seringueiros, da mulher marginalizada e outras. Têm uma atuação marcante em atividades como a Semana Social e o Grito dos Excluídos. A preocupação ecológica também entrou de cheio nas comunidades, desde a luta de Chico Mendes e seus companheiros no Acre até a coleta seletiva do lixo nas comunidades urbanas”, afirma o sociólogo e professor da UFRJ, Ivo Leusbaupin.

O arcebispo de Porto Velho, anfitrião do 12º Intereclesial, dom Moacir Grechi, acredita que este encontro marcará profundamente a comunhão eclesial da Arquidiocese. “As CEBs vivem sua missão nessa região, onde a aliança do Criador com o universo aparece tão fortemente, seja na tradição bíblica, seja nas culturas indígenas”, comenta dom Moacyr.

As CEBs reafirmam no hoje da história a paixão pela pessoa de Jesus Cristo caminho, verdade e vida, através do seguimento profético, colocando-se em defesa da vida ameaçada por sistemas perversos. Ela nos mobiliza na luta a favor da vida humana, da natureza, do Planeta e do universo. A mística evangélica nos convida a não só contemplar toda a criação, mas como afirma Leonardo Boff, teólogo e filósofo, a missão do ser humano não é estar sobre as coisas, dominando-as, mas ficar ao seu lado, cuidando delas, pois ele é parte responsável da imensa comunidade terrenal e cósmica.



Julio Ferreira