domingo, 11 de setembro de 2011

Palavra de Deus, gesto comunicativo e gerador de vida

Setembro é conhecido por todos nós como o mês dedicado a Palavra de Deus. Palavra que Cria, Palavra Redentora, Palavra que Comunica. No ato criador de Deus, onde ele expressa seu amor, há a Palavra pronunciada, gesto comunicativo que faz a vida desabrochar em meio ao caos. Em Jesus a Palavra se plenifica. Ele mesmo, verbo encarnado, é a própria mensagem, Palavra eterna do Pai. Todo processo comunicativo se sintetiza em Jesus.

A Palavra que se faz carne e habita entre nós, segundo São João, não é apenas alguém que vem falar do Pai, mas é o Deus conosco. Em Jesus o ser humano é capaz de compreender o pensamento divino, pois ele comunica à vida que recebe do Pai. As palavras de Jesus fazem com que todas as palavras sejam significadas e encontrem sentido.

Como interlocutor de Deus, o ser humano, e somente ele, dentre todas as criaturas, é chamado a participar do seu amor e do seu conhecimento. O ser humano, imagem e semelhança do criador, é o que há de mais profundo nessa relação comunicativa. Poder dialogar com o criador é privilégio do ser humano. Aqui se estabelece uma relação filial, uma aliança comprometedora. Uma comunicação que reside numa interatividade de comunhão.

Esse mês da Palavra nos pode ajudar a compreender os caminhos de um Deus comunicador. A história da salvação é a história da comunicação de Deus com o ser humano. Essa comunicação teve seu início na criação, quando Deus tomou a iniciativa de sair ao encontro do ser humano, dando-lhe o seu sopro de vida; passou pela libertação do povo da escravidão do Egito; atravessou o deserto; se fez Páscoa e se fez Pão.

O Deus que cria comunicando vida, espera da pessoa humana, imagem e semelhança sua, que esta também profira Palavra de vida e vida plena. Jesus, o comunicador do Pai por excelência, denunciou tudo e todos que se colocaram contra a vida. Toda comunicação que não se coloca a favor da vida está contra a sua própria essência.


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sábado, 10 de setembro de 2011

A re(volta) das lamparinas em Jaguaribara no Ceará

Já era noite do dia 07 de setembro, quando a edição do 17º grito dos excluídos da diocese de Limoeiro do Norte chegava ao fim. Na praça de nome mutirão, as falas disseram o motivo da segunda parada: "Jaguaribara hoje passou por um milagre. No cotidiano vive às escuras. Lamparinas para iluminar a praça do mutirão e a noite da nova Jaguaibara, disse o coordenador do curso de História da FAFIDAM, professor João Rameres Reges". E o canto completava a denúncia: "Não deixe a lamparina apagar, pois ninguém sabe a hora que a COELCE vai chegar". O professor Reges concluiu sua fala dizendo que "a luz é sinal de esperança para os movimentos sociais no combate as trevas do capitalismo".

O eixão das águas do Castanhão, em Jaguaribara, foi o local escolhido para o início do grito dos excluídos que, após a mística de abertura e fala de Dom José, bispo diocesano, percorreu as ruas da cidade. Em sua fala de abertura Dom José Haring enfatizou que "Deus nos faz enxergar a realidade que estamos vivendo e por isso devemos abrir a mente para as possilidades que temos de trabalhar juntos. Irmãos caminhemos!"

Para o jovem Derlano dos Santos do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens - "o maior objetivo do grito é a denúncia do que se chama de desenvolvimento. O que mudou na vida das pessoas? Prá quem o castanhão foi pensado? A barragem do castanhão trouxe mais mazelas do que benefícios." "Pela vida grita a Terra...Por direitos, todos nós!" foi o tema trazido pelo grito dos excluídos desse ano.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CEBs em tempo de Justiça e Profecia

A cidade do Cedro, diocese de Iguatu, acolheu nos dias 03 e 04 de setembro o encontro das CEBs do bloco 3. O bloco é formado pelas dioceses de Iguatu, Limoeiro e Crato do regional Nordeste I. O encontro foi assessorado pelo Pe. Vileci Vidal, coodenador do secretariado para o 13º Intereclesial.

O encontro teve como tema de estudo: Justiça e Profecia a Serviço da Vida, que é o tema do Intereclesial. Em sua fala, Pe. Vileci destacou três elementos que caracterizam a profecia: a espiritualidade, a vivência em comunidade e a capacidade de fazer opção. Tudo isso, acrescentou ele, dentro do entendimento da proposta de Jesus.

Presente ao encontro do bloco, o bispo de Iguatu e referencial das CEBs do regional, dom João, dirigiu uma palavra aos participantes: "Estamos juntos nesta caminhada de CEBs. Não somos os iniciadores e não seremos nós a terminarmos esta caminhada, porque as CEBs irão continuar sua missão".

Um artigo de Marcelo Barros, monge Beneditino, encerrou o estudo. Intitulado Precisamos de profetas, o artigo chama a atenção para não esquecermos a memória daqueles e daquelas que não temeram doar a vida pelo Reino. O tempo deles não é passado, mas continua sendo hoje. É na memória dos profetas que "nos damos conta da herança profética que recebemos e, junto com cristãos, pessoas de outras confissões e todos os homens e mulheres que acreditam no amor e na justiça, renovamos nosso compromisso de serviço aos irmãos e luta pacífica para transformamos este mundo", diz Barros.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Comunidades falam dos danos causados pela carcinicultura

As Comunidades articuladas, que fazem parte da Organização Popular de Aracati - OPA - participaram de uma audiência pública ontem, 24, na comunidade Tábua Lascada, no município de Aracati. A participação das comunidades se deu no sentido de intervenção quanto a pretensão da carcinicltura Gavião de estender o seu empreedimento na região.

A audiência pública, com a mediação da SEMACE, teve como objetivo apresentar para a comunidade o projeto de ampliação da carcinicultura Gavião dos atuais 17 viveiros para 54. Segundo os representantes da Gavião, o projeto trará muitos benefícios para as comunidades, entre elas a geração de renda.

Com a palavra, após a apresentação dos representantes da Gavião, as comunidades contrárias ao emprendimento, apresentaram os malefícios que a carcinicultura tem trazido para as pessoas e o meio ambiente. João Luiz, da comunidade do Cumbe e integrante da OPA, disse que esse mesmo discurso desenvolvimentista foi apresentado em sua comunidade no ano de 2006. Para ele o que resta hoje é a degradação ambiental.

Jocélia Ribeiro, da comunidade Pedregal e também integrante da OPA, em sua fala destacou a importância da defesa da vida. E que a carcinicultura tem feito o contrário, embora diga que os impactos negativos sejam pequenos. A carnaúba, segundo Jocélia, presente na Bandeira do Ceará corre sérios riscos de extinção, como consequência de tal emprendimento.

O presidente da associação dos moradores de Cantinho de Cima, Antonio Carlos, solicitou da SEMACE uma visita as comunidades atingidas pela carcinicultura Gavião. As comunidades de Morrinhos, Canapum, Venâncio, Outeiro e Cantinho sofrem com as águas que saem dos viveiros, poluindo as lagoas da região.

A carcinicultura, criação de camarão em viveiros, teve seu início no Equador. De lá, após as destruições ao meio ambiente, migrou para outros lugares, incluindo o Brasil. No Nordeste do Brasil, mais precisamente, os empresários viram a possibilidade de uma maior produção, já que a região oferece sol praticamente o ano inteiro.




sábado, 20 de agosto de 2011

Brasil vai as ruas dizer o que pensa sobre Belo Monte

Hoje, 20 de agosto, o Brasil vai às ruas para protestar contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Embora as máquinas já estejam fazendo os seus estragos escavando o solo nas cercanias das barrancas do Xingu, não é tarde para silenciar os seus motores, diz a carta de convocação para o ato contra Belo Monte.

Muitos serão os atos em todo o Brasil, a partir das 13:00h. O projeto Belo Monte não pode continuar. A defesa da vida, dos povos, da floresta e dos rios da Amazônia deve ser uma causa de todos. E é por isso que diversos países, nos cinco continentes, também realizarão, no dia 22, atos de solidadriedade em frente as embaixadas/consulados brasileiros.

A expectativa dos organizadores do ato contra Belo Monte é que milhares de pessoas saiam as ruas, nesse sábado 20, para dizer ao governo o que pensam sobre esse projeto que só trará danos irreversíveis à natureza e, consequentemente, as comunidades indígenas.







segunda-feira, 8 de agosto de 2011

No Testemunho dos Mártires: Terra, Água e Dignidade

Com o tema No Testemunho dos Mártires: Terra, Àgua e Dignidade, cerca de 15 mil Romeiros fizeram acontecer a 15ª Romaria da Terra do Ceará, na diocese de Itapipoca. Era domingo,7, quando ainda de madrugada começaram a chegar as caravanas vindas de todos os cantos e recantos do Ceará.

A celebração de abertura e envio se deu na Igreja de São Sebastião, onde das mãos do bispo diocesano, dom Antonio, os representantes das dioceses receberam a moringa, a terra e a cruz como símbolos das tendas Terra, Água e Dignidade. As tendas foram divididas por dioceses e se tornaram espaço da partilha da palavra, das lutas e do pão.

Percorrendo as ruas da cidade, os Romeiros entoavam cantos de esperança, de paz e de resistência. Eram muitas as bandeiras de lutas sendo alvejadas no sangue dos Mártires. Todos reafirmando o compromisso com a vida.

Como palavra de vida, durante a celebração de encerramento, a carta da Romaria, convoca a todos: "Romeiros e Romeiras da Terra, da utopia de mundo novo, caminhemos rumo à Terra Sem Males. Continuemos com as mãos na massa, os pés firmes no chão, como povo de Deus que reza, mas coloca a oração no chão da Terra e da Vida, com nossos sonhos e esperanças".




Paróquia de Aracati presente na 15ª Romaria da Terra

A Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Aracati se fez presente à 15ª Romaria da Terra do Ceará. A Romaria aconteceu domingo,7, na diocese de Itapipoca. Da Paróquia estiveram presentes 60 pessoas de diversas comunidades.

Todos os que participaram da Romaria sentiram-se fortalecidos para continuarem a caminhada. Segundo Jacira Simões "a Romaria é uma experiência para a missão. Comunguei com a realidade dos Mártires, disse ela".Os mais jovens que participaram pela primeira vez tiveram a Romaria como espaço de aprendizado.

A 15ª Romaria da Terra teve como tema: No Testemunho dos Mártires: Terra, Água e Dignidade. E foram muitos os que no Ceará e no Brasil inteiro, diz a carta final da Romaria, tombaram na luta pela posse da Terra.