terça-feira, 22 de novembro de 2011

Comunidades virtuais: espaço de encontro entre identidades

Interesses compartilhados, intimidade, relações duradouras são algumas das características de uma comunidade mediada, que precisa de motivação para superar a ausência de contato corporal e a distância geográfica. Se características como essas não existem nos ciberespaços, então estamos diante de uma simples agregação eletrônica.

Um uso inadequado das novas mídias pode, ao invés de favorecer a comunicação, contribuir para desviá-la do seu percurso, retirando do ser humano o chão da realidade. No ciberespaço a pessoa pode se apresentar como ela desejar, reinventar-se. Para Martino (2010) “é possível ser qualquer um, inventar-se o quanto quiser e, nessa criação de personas, definir uma imagem voltada para o outro, um público”.

Segundo Lemos e Lévy (2010) “não se pode generalizar para toda forma socialmente agregadora da internet o rótulo de comunitária”. Para ser comunitária, o propósito de completude deve estar presente, bem como o pertencimento simbólico. Estamos em redor de que? Qual o nosso objeto comum? Quais os nossos interesses?

Para Martino (2010) “a internet permitiu uma aproximação sem precedentes entre indivíduos com interesses e idéias semelhantes”. E o mais importante em tudo isso, diz ele, é que “não somos mais espectadores diante de uma tela”. Há na rede espaço para que as identidades possam debater e trocar idéias, movimentando-se livremente. A circulação de informações disponibilizadas na rede pela comunidade contribui na construção de um conhecimento comum.

Essa rede de troca e de colaboração é descentralizada, deixando para traz uma comunicação linear, onde se tinha um centro emissor e uma multiplicidade de receptores. Essa nova esfera pública, segundo Lemos e Lévy (2010), funciona de muitos para muitos em um espaço descentralizado. Ainda na opinião de Lemos e Lévy “as mídias interativas, as comunidades virtuais e a explosão da liberdade de expressão trazida pela Internet abrem um novo espaço de comunicação [...]”.

Por isso é importante compreender que o simples fato de termos diante de nós as mídias mais potentes e sofisticadas não nos garante que estamos nos comunicando. A comunicação só acontece de fato quando somos capazes de fazer uma apropriação sábia, prudente crítica e adequada dos meios, potencializando e subsidiando a todos que interagem na rede.

Na concepção de Martino (2010) “o conhecimento transformado em relações de comunicação parece ser o início e o fim do longo trabalho de construção da identidade. Daí que as relações de identidade estão ligadas ao estudo da comunicação”.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Viver em rede de forma inteligente

Sem dúvida a humanidade deu um salto com os avanços tecnológicos. A informática modificou a forma de relacionamento entre pessoas e entre as pessoas e o mundo. Segundo Christofoletti (2008) modificaram-se radicalmente a educação, a sociabilidade, a comunicação e a compreensão dos cenários ao nosso redor.

No mundo do trabalho, com esses avanços tecnológicos, o profissional do novo século para ser bem sucedido e realizado profissionalmente precisa somente ser um bom conhecedor das novas tecnologias? É suficiente ter o domínio sobre as máquinas e suas complexidades?

O conhecimento é muito mais do que técnica. Muitas vezes temos muitas informações e acabamos confundindo com conhecimento, como se esse fosse a soma das informações obtidas. E daí nossas conexões serem, na maioria das vezes, vazias de sentido. O que é compartilhado, na verdade, não é conhecimento. Torna-se algo sem nexo, sem contexto, sem texto, sem vida.

O acúmulo de informações e a dependência tecnológica acabam, por vezes, anulando os aspectos humanos, como o sentimento, a paixão, o desejo, o temor, o medo... Enfim, a humanidade acaba tornando-se máquina. O grande desafio será a superação deste armazenamento robótico. E o caminho é o do compartilhamento do conhecimento, da interação. As pessoas descobrirem que há um humano por trás de todos os recursos tecnológicos.

O profissional do novo século precisa estar antenado. Ele precisa saber da importância do uso das novas tecnologias, mas ao mesmo tempo descobrir que no mundo de hoje não basta só ter o domínio das mesmas. Entrar no mundo tecnológico é criar possibilidades de crescimento para si e para a humanidade. Aí consiste o conhecimento. Ele não é mutilador, mas propositor.

Para quem sabe dar sentido aquilo que faz, as novas mídias trazem consigo experiências de democracia e liberdade. Elas possibilitam o compartilhamento de conhecimentos, superando um antigo conceito de que uma só pessoa é detentora de todos os conhecimentos. Se bem utilizadas, as novas tecnologias contribuem para a construção coletiva de conhecimentos. Tudo vai depender das inteligências implicadas no processo.

Será bem sucedido o profissional que estiver aberto para aprender que é o homem e a mulher que são portadores de sentido e de conhecimento. E que as novas tecnologias poderão contribuir e muito com a sustentabilidade da vida, mas com a ação humana e a sua capacidade de viver em rede de forma inteligente.

domingo, 11 de setembro de 2011

Palavra de Deus, gesto comunicativo e gerador de vida

Setembro é conhecido por todos nós como o mês dedicado a Palavra de Deus. Palavra que Cria, Palavra Redentora, Palavra que Comunica. No ato criador de Deus, onde ele expressa seu amor, há a Palavra pronunciada, gesto comunicativo que faz a vida desabrochar em meio ao caos. Em Jesus a Palavra se plenifica. Ele mesmo, verbo encarnado, é a própria mensagem, Palavra eterna do Pai. Todo processo comunicativo se sintetiza em Jesus.

A Palavra que se faz carne e habita entre nós, segundo São João, não é apenas alguém que vem falar do Pai, mas é o Deus conosco. Em Jesus o ser humano é capaz de compreender o pensamento divino, pois ele comunica à vida que recebe do Pai. As palavras de Jesus fazem com que todas as palavras sejam significadas e encontrem sentido.

Como interlocutor de Deus, o ser humano, e somente ele, dentre todas as criaturas, é chamado a participar do seu amor e do seu conhecimento. O ser humano, imagem e semelhança do criador, é o que há de mais profundo nessa relação comunicativa. Poder dialogar com o criador é privilégio do ser humano. Aqui se estabelece uma relação filial, uma aliança comprometedora. Uma comunicação que reside numa interatividade de comunhão.

Esse mês da Palavra nos pode ajudar a compreender os caminhos de um Deus comunicador. A história da salvação é a história da comunicação de Deus com o ser humano. Essa comunicação teve seu início na criação, quando Deus tomou a iniciativa de sair ao encontro do ser humano, dando-lhe o seu sopro de vida; passou pela libertação do povo da escravidão do Egito; atravessou o deserto; se fez Páscoa e se fez Pão.

O Deus que cria comunicando vida, espera da pessoa humana, imagem e semelhança sua, que esta também profira Palavra de vida e vida plena. Jesus, o comunicador do Pai por excelência, denunciou tudo e todos que se colocaram contra a vida. Toda comunicação que não se coloca a favor da vida está contra a sua própria essência.


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sábado, 10 de setembro de 2011

A re(volta) das lamparinas em Jaguaribara no Ceará

Já era noite do dia 07 de setembro, quando a edição do 17º grito dos excluídos da diocese de Limoeiro do Norte chegava ao fim. Na praça de nome mutirão, as falas disseram o motivo da segunda parada: "Jaguaribara hoje passou por um milagre. No cotidiano vive às escuras. Lamparinas para iluminar a praça do mutirão e a noite da nova Jaguaibara, disse o coordenador do curso de História da FAFIDAM, professor João Rameres Reges". E o canto completava a denúncia: "Não deixe a lamparina apagar, pois ninguém sabe a hora que a COELCE vai chegar". O professor Reges concluiu sua fala dizendo que "a luz é sinal de esperança para os movimentos sociais no combate as trevas do capitalismo".

O eixão das águas do Castanhão, em Jaguaribara, foi o local escolhido para o início do grito dos excluídos que, após a mística de abertura e fala de Dom José, bispo diocesano, percorreu as ruas da cidade. Em sua fala de abertura Dom José Haring enfatizou que "Deus nos faz enxergar a realidade que estamos vivendo e por isso devemos abrir a mente para as possilidades que temos de trabalhar juntos. Irmãos caminhemos!"

Para o jovem Derlano dos Santos do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens - "o maior objetivo do grito é a denúncia do que se chama de desenvolvimento. O que mudou na vida das pessoas? Prá quem o castanhão foi pensado? A barragem do castanhão trouxe mais mazelas do que benefícios." "Pela vida grita a Terra...Por direitos, todos nós!" foi o tema trazido pelo grito dos excluídos desse ano.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CEBs em tempo de Justiça e Profecia

A cidade do Cedro, diocese de Iguatu, acolheu nos dias 03 e 04 de setembro o encontro das CEBs do bloco 3. O bloco é formado pelas dioceses de Iguatu, Limoeiro e Crato do regional Nordeste I. O encontro foi assessorado pelo Pe. Vileci Vidal, coodenador do secretariado para o 13º Intereclesial.

O encontro teve como tema de estudo: Justiça e Profecia a Serviço da Vida, que é o tema do Intereclesial. Em sua fala, Pe. Vileci destacou três elementos que caracterizam a profecia: a espiritualidade, a vivência em comunidade e a capacidade de fazer opção. Tudo isso, acrescentou ele, dentro do entendimento da proposta de Jesus.

Presente ao encontro do bloco, o bispo de Iguatu e referencial das CEBs do regional, dom João, dirigiu uma palavra aos participantes: "Estamos juntos nesta caminhada de CEBs. Não somos os iniciadores e não seremos nós a terminarmos esta caminhada, porque as CEBs irão continuar sua missão".

Um artigo de Marcelo Barros, monge Beneditino, encerrou o estudo. Intitulado Precisamos de profetas, o artigo chama a atenção para não esquecermos a memória daqueles e daquelas que não temeram doar a vida pelo Reino. O tempo deles não é passado, mas continua sendo hoje. É na memória dos profetas que "nos damos conta da herança profética que recebemos e, junto com cristãos, pessoas de outras confissões e todos os homens e mulheres que acreditam no amor e na justiça, renovamos nosso compromisso de serviço aos irmãos e luta pacífica para transformamos este mundo", diz Barros.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Comunidades falam dos danos causados pela carcinicultura

As Comunidades articuladas, que fazem parte da Organização Popular de Aracati - OPA - participaram de uma audiência pública ontem, 24, na comunidade Tábua Lascada, no município de Aracati. A participação das comunidades se deu no sentido de intervenção quanto a pretensão da carcinicltura Gavião de estender o seu empreedimento na região.

A audiência pública, com a mediação da SEMACE, teve como objetivo apresentar para a comunidade o projeto de ampliação da carcinicultura Gavião dos atuais 17 viveiros para 54. Segundo os representantes da Gavião, o projeto trará muitos benefícios para as comunidades, entre elas a geração de renda.

Com a palavra, após a apresentação dos representantes da Gavião, as comunidades contrárias ao emprendimento, apresentaram os malefícios que a carcinicultura tem trazido para as pessoas e o meio ambiente. João Luiz, da comunidade do Cumbe e integrante da OPA, disse que esse mesmo discurso desenvolvimentista foi apresentado em sua comunidade no ano de 2006. Para ele o que resta hoje é a degradação ambiental.

Jocélia Ribeiro, da comunidade Pedregal e também integrante da OPA, em sua fala destacou a importância da defesa da vida. E que a carcinicultura tem feito o contrário, embora diga que os impactos negativos sejam pequenos. A carnaúba, segundo Jocélia, presente na Bandeira do Ceará corre sérios riscos de extinção, como consequência de tal emprendimento.

O presidente da associação dos moradores de Cantinho de Cima, Antonio Carlos, solicitou da SEMACE uma visita as comunidades atingidas pela carcinicultura Gavião. As comunidades de Morrinhos, Canapum, Venâncio, Outeiro e Cantinho sofrem com as águas que saem dos viveiros, poluindo as lagoas da região.

A carcinicultura, criação de camarão em viveiros, teve seu início no Equador. De lá, após as destruições ao meio ambiente, migrou para outros lugares, incluindo o Brasil. No Nordeste do Brasil, mais precisamente, os empresários viram a possibilidade de uma maior produção, já que a região oferece sol praticamente o ano inteiro.




sábado, 20 de agosto de 2011

Brasil vai as ruas dizer o que pensa sobre Belo Monte

Hoje, 20 de agosto, o Brasil vai às ruas para protestar contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Embora as máquinas já estejam fazendo os seus estragos escavando o solo nas cercanias das barrancas do Xingu, não é tarde para silenciar os seus motores, diz a carta de convocação para o ato contra Belo Monte.

Muitos serão os atos em todo o Brasil, a partir das 13:00h. O projeto Belo Monte não pode continuar. A defesa da vida, dos povos, da floresta e dos rios da Amazônia deve ser uma causa de todos. E é por isso que diversos países, nos cinco continentes, também realizarão, no dia 22, atos de solidadriedade em frente as embaixadas/consulados brasileiros.

A expectativa dos organizadores do ato contra Belo Monte é que milhares de pessoas saiam as ruas, nesse sábado 20, para dizer ao governo o que pensam sobre esse projeto que só trará danos irreversíveis à natureza e, consequentemente, as comunidades indígenas.