segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Encontro reúne atingidos e atingidas por construção de barragem em Crateús



A comunidade Poti, no município de Crateús-CE, acolheu, nos dias 19 e 20 passados, aproximadamente duzentas pessoas das comunidades atingidas pela construção da barragem Lago de Fronteiras (entre o Ceará e o Piauí). O projeto, que tem impactado milhares de famílias, visa, principalmente, de acordo com estudos preliminares, garantir o fornecimento de água para o funcionamento de uma grande mineradora, em instalação em municípios vizinhos. Não é para matar a sede da população nem para a produção agrícola local.

O encontro, iniciativa do Grupo de Estudos e Práticas Interdisciplinares em Agroecologia (GEPIA), da Universidade Federal do Ceará (UFC), com as comunidades atingidas, se iniciou com um café da manhã. Depois, uma mística provocou reflexões e sentimentos ao retratar a realidade comum a quem sofre e luta contra projetos que não vêm para servir à população, mas a interesses de grandes empresas.

Na sequência, os/as participantes conversaram em grupos suas angústias, as promessas não cumpridas pelo Estado, as inúmeras violações de direitos e apontaram suas reivindicações, além de alternativas de enfrentamento. As ideias foram anotadas e, depois, socializadas na plenária maior.



A angústia das famílias atingidas pôde ser sentida desde antes, já nas conversas de preparação para o encontro. “Pra mim, é uma tragédia (...). Nós somos lixo aqui. Nós somos lixo. Os outros não querem ser. Mas eu digo porque nós somos. Porque vão nos jogar onde eles querem. Lixo que você apanha aqui e bota pra lá, depois manda pra acolá”, declarou a senhora J., de 74 anos de idade.

O próximo momento do encontro contou com a participação de pessoas atingidas pela construção da barragem do Castanhão, no Vale do Jaguaribe, do outro lado do estado. Segundo Ézio, do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), é “sempre a mesma coisa. Eles vão tentar enganar as comunidades até a chegada das águas, quando, para não morrerem afogadas, as famílias são obrigadas a sair. Por eles, os atingidos não teriam nenhum direito. É de nossa luta, da resistência do povo, que vêm as conquistas.”

Na parte da tarde, especialistas nas áreas do direito, psicologia e território expuseram percepções sentidas e analisadas a partir das realidades estudadas com as comunidades. Para Juliane Melo, advogada do Escritório Frei Tito de Alencar, “há, comprovadamente, uma série de ilegalidades e violações de direitos no processo de implementação do Lago de Fronteiras. O povo tem o direito de lutar contra isso.”

O instante seguinte seria uma audiência de negociação com os órgãos do Estado, direta ou indiretamente envolvidos na construção da barragem, principalmente o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), que não compareceu nem informou o porquê. “Nós sabemos onde fica o escritório deles. Se o DNOCS não vem até aqui, nós iremos até ele, e com muito mais gente”, declarou um dos participantes, com indignação estampada no rosto.

No segundo dia, formou-se uma coordenação das comunidades, com o compromisso coletivo de traçar planos de fortalecer a resistência, a união e o espírito de coragem que permeou todo o encontro.



Muitas entidades e movimentos apoiadores estiveram presentes; entre elas, a Igreja Católica, o Movimento Sem Terra e a Organização Popular (OPA).
“O encontro dos atingidos foi planejado para buscar unir as comunidades, para que a discussão sobre os direitos violados saísse do pensamento individual para uma reflexão coletiva”, frizou Thaís Félix, estudante de psicologia e integrante do GEPIA.

* Por Thales Emmanuel

Um comentário:

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