quinta-feira, 3 de maio de 2012

OPA denuncia patrocinadora de Olimpíada do trabalhador em Aracati

O 1º de maio, dia do trabalhador, em Aracati, teria sido apenas de festa e comemoração, não fosse à intervenção da Organização Popular – Aracati, que fez uma forte denúncia contra a Syngenta, uma das patrocinadoras das Olimpíadas do trabalhador de Aracati. “A Syngenta é uma das maiores empresas do mundo no ramo do agronegócio. Produz sementes transgênicas e agrotóxicos, dentre outros produtos nocivos à vida”, esclarece o panfleto distribuído pela OPA.
O panfleto ainda denuncia a morte do trabalhador Valmir Mota de Oliveira, Paraná, que foi alvejado com balas, no dia 27 de outubro de 2007, quando protestava contra a existência de laboratório de sementes transgênicas da empresa Syngenta. Segundo a OPA, “a Syngenta que assassina e mutila trabalhadores e trabalhadoras Brasil afora, é a mesma Syngenta que se disfarça de amiga ao patrocinar eventos na semana do trabalhador em Aracati.”
Para os coordenadores, a intervenção promovida pela OPA nesse 1º de maio causou impacto na sociedade de Aracati. “Conseguimos alcançar o nosso objetivo de alertar o povo sobre a Syngenta e mostrar para a sociedade que estamos lutando por nossos direitos. Somos pequenos, mas temos um pensamento bom: lutar pela justiça.”

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Líder sindical e agente das CEBs é assassinado em Buriticupu no Maranhão

Em pleno abril vermelho, quando se sente ainda pulsar nas veias abertas o sangue derramado em Eldorado dos Carajás, no dia 17 de abril de 1996, com o assassinto de 19 trabalhadores rurais e com o assassinato de Zé Maria do Tomé na chapada, em Limoeiro do Norte, no dia 21 de abril de 2010, jorra nas faces militantes o sangue de mais um irmão. No dia 14 de abril de 2012 foi assassinado em Buriticupu, no Maranhão, o líder sindical e agente das Comunidades Eclesiais de Base, Raimundo Alves Borges, 56.


Em nota de pesar e repúdio diante do assassinato de Raimundo Alves Borges, a equipe regional das CEBs do Maranhão diz que "tudo indica que se trata mais uma vez da agressiva disputa do latifúndio porque 'cobiçam campos e os roubam; querem uma casa, e as tomam'. " E continua a nota "não é a primeira vítima da violência que sofreu uma agressão mortal no município de Buriticupu. Como nas outras vezes, não podemos ficar calados diante de mais esse fato de profunda injustiça"

O abril vermelho continua, porque enquanto o sangue dos Mártires continuar fecundando o chão, por conta do latifúndio, as forças militantes não podem ficar paradas. Segundo dados do MST são 186 mil famílias em todo território nacional acampadas em busca da terra.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Redentoristas, Mídia e Identidade

Há um tempo atrás escrevi algo sobre a Identidade Redentorista, num artigo intitulado “Ser Redentorista”, mas vejo que o tema continua atual e necessário de está novamente em pauta, já que a identidade é algo inegociável e inerente aqueles que se permitiram assumi-la como sendo parte de sua vida e missão.


Somos sabedores que as identidades se constroem e se afirmam numa dinâmica de luta dialética interna e externa de contrários. Segundo Bogo ( 2008) “uma coisa não pode existir sem que haja o seu oposto.” E ainda “a identidade se relaciona com o movimento das negações constantes seja na sua contradição principal seja nas demais contradições.”


Martino (2010) diz que “a identidade é algo que se desenvolve a partir dos discursos que definem as fronteiras simbólicas de quem se é a partir de um passado e um presente, responsáveis, igualmente, por ensaiar um projeto de futuro.” O que somos agora é, portanto, algo construído, proposto e fundado historicamente sem prazo de validade.


Coloco essas questões iniciais sobre a identidade para que possamos perceber o tamanho da nossa responsabilidade para com as gerações passadas e futuras. A vida religiosa nasceu com uma missão profética, provocadora. A vida religiosa é contradição desde o seu nascedouro. É negação de estruturas pesadas e opressoras, dentro da Igreja e na sociedade.


A Congregação do Santíssimo Redentor, nas suas origens e raízes, nasce com a missão de ser continuadora da obra de Jesus Redentor, pregando a Boa Nova aos pobres e abandonados. Afonso, nosso fundador, corajosamente trilhou um caminho contraditório. Quando muitos procuravam honras e glórias ele vai na direção dos cabreiros. Aqui está o centro da minha preocupação. Em que direção nós os filhos de Afonso estamos indo?


Estamos diante de um catolicismo midiático, onde, segundo Carranza ( 2011) “a mídia retira indivíduos do anonimato, desenvolvendo neles dispositivos de vedetização e glamourização que permitem personalizar figuras emblemáticas que concentram imaginários de felicidade, com os quais o público se identifica e nos quais projeta suas aspirações.”


Pautada por esse catolicismo midiático, que infelizmente alguns Redentoristas estão abraçando, uma Senhora se dirige para mim e pergunta: Padre Julio, por que os Redentoristas daqui não fazem sucesso? Por um lado fiquei feliz, pois há uma demonstração de que ainda estamos na direção dos cabreiros, pois não estamos fazendo “sucesso”, mas por outro fiquei preocupado pelos desvios que, enquanto Redentoristas, estamos fazendo do nosso Carisma e Espiritualidade. E é visível, é midiático.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Articuladores das CEBs do Ceará visitam projeto Mandala

A articulção das CEBs do Regional Nordeste I - Ceará, visitou na manhã de sábado, 17, o projeto Mandala, na comunidade Jacú, em Mombaça. Essa experiência é pioneira em Mombaça e conta com dois projetos, um com 18 canteiros e o outro com 10. Dona Irene, coordenadora do projeto, fez o treinamento de 7 dias em Quixeramubim - Ceará. Segundo Dona Irene "prá quem sabe trabalhar é um projeto muito bom."

Os pequenos produtores apresentam orgulhosos os frutos da terra. Aqui, diz Dona Irene, "nós temos a cenoura, a beterraba, o milho verde, o mamão, o maracujá, a graviola, a batata doce..." E os articuladores das CEBs puderam se deliciar com os frutos e assim, como o criador diante da criação, voltaram maravilhados vendo que tudo aquilo "era muito bom."

A idéia da Mandala é fazer com que os pequenos agricultores aproveitem o máximo a pouca água, ajudando-os na aprendizagem de convivência com o semi-árido. A Mandala se constitui de um reservatório de água circular com o plantio feito ao seu redor. A mandala prevê ainda a inclusão de animais. No projeto da comunidade Jacú existem peixes e patos.

A articulação das CEBs do Regional esteve reunida em Mombaça, diocese de Iguatu, nos dias 16, 17 e 18 de março de 2012. Além da visita ao projeto da comunidade Jacú, visitou também a comunidade Morada Nova, aprofundou o tema da CF 2012 e encaminhou questões relacionadas ao Reigional, Nordestão e 13º Intereclesial.





domingo, 8 de janeiro de 2012

Mídia, Espetáculo e Violência

Acompanhamos nos últimos dias, infelizmente de maneira deturpada, a greve dos policiais militares do Estado do Ceará. Deturpada porque a mídia sensacionalista se encarregou de transformar a greve, um movimento pacífico, em algo altamente perigoso e aterrador, causando pânico e caos nas ruas e bairros da capital e do interior.


Na corrida pelo ibope e pelo furo de reportagem, a mídia abre mão de regras básicas do bom jornalismo. A função de mediação entre a realidade e o telespectador tem sido desvalorizada. A fórmula americana é seguida pela mídia brasileira, amparada pelo tripé violência, sexo e esporte.


O jornalismo sensacionalista, se é que se pode chamar de jornalismo, ao contrário do jornalismo sério, não está preocupado com as pessoas envolvidas na matéria, nem com a ética, mas pura e simplesmente com o espetáculo. O mais importante é a manchete e o seu impacto. O que rege esse tipo de jornalismo é a lógica do mercado, preocupado apenas com o consumo.


Produz exageradamente o espetáculo de violência, seguindo a máxima de que “o crime vende”. Para isso pessoas são expostas ao ridículo e muitas vezes cidadãos são transformados em bandidos de alta periculosidade. No jornalismo sensacionalista as partes envolvidas não são ouvidas, não se confere informações e condena-se previamente suspeitos ou acusados.


Um espaço que fora criado para informar e formar o cidadão, ajudando-o a gerar conhecimento, através de temas relevantes, transformou-se em espaço de satisfação de necessidades instintivas. Ignora-se completamente os assuntos de interesse público. O público deixa de ser sujeito, passando a ser consumidor de um conteúdo espetacular.


É com pesar que assistimos a espetacularização das notícias, o desrespeito para com a vida humana e a sua banalização. Infelizmente, nem todo jornalista no exercício da profissão pensa o jornalismo como criador de democracia e o coloca no viés do sensacionalismo e da mercadoria. O que nasceu para ser salvaguarda da sociedade passa de repente a ser temido pela mesma.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mais que um “código verbal”

É natal, fim da espera. Concretiza-se a esperança. A encarnação da palavra acontece. O Messias está entre nós. Momento como esse jamais havia se dado na história da comunicação entre o divino e o humano. O diálogo entre Deus e a humanidade ultrapassa, agora, “o limite do código verbal”. O verbo se torna carne, gente, texto vida, contexto, gesto, enfim um de nós.


A vinda do Deus menino é mais do que se espera numa relação comunicacional. Com essa atitude, a comunicação entre Deus e a humanidade passa a ser dialógica. Há interlocutores no processo comunicativo. E é por isso que está entre nós não qualquer menino, mas aquele que vem provocar reflexões e mudanças no nosso jeito de ser e de fazer, a partir da maneira como ele mesmo construiu o seu texto vida.


O texto traduzido em vida é boa nova para os pobres, pequenos e marginalizados, mas ao mesmo tempo é ameaça para os grandes e poderosos. O Emanuel, Deus conosco, vem comunicar vida e vida em abundância. Para isso questiona as relações injustas que dificultam a vivência do Reino, conteúdo privilegiado da sua pregação.


Natal é, pois, mais do que simples palavra, é encarnação. Devemos então nos perguntar se estamos nos traduzindo em gestos e atitudes que promovem vida e esperança ou se somos apenas palavras? O que nossas vidas comunicam? De que maneira nossa presença é ameaçadora para os que continuam oprimindo os pobres, excluídos dos nossos dias?


Que, como Jesus, consigamos construir o texto de nossa vida, pautado naquilo que somos chamados a comunicar: a boa nova do Reino. Que a encarnação seja entendida por nós como sendo permanente e contextualizada, não apenas passado, mas presente e futuro. Ultrapassemos, também nós, “o limite do código verbal”.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Vigília natalina das Cebs de Fortaleza conclama a profecia

As Comunidades Eclesiais de Base - CEBs - da Arquidiocese de Fortaleza, com o objetivo de emitir publicamente um sinal de apoio e solidariedade com as inúmeras famílias ao longo do trilho, aflitas diante da ameaça aguda de remoção por causa da copa de 2014 e denunciar, também publicamente, as injustiças cometidas contra os legítimos direitos dos moradores, por parte do Governo do Estado, realizaram ontem, 17, a III Vigília de natal, na Capela Nossa Senhora das Graças da comunidade Trilha do Senhor.


Com o lema "...Porque não havia lugar para eles", as comunidades passaram a noite em oração, reflexão, partilha e cantoria. Também fizeram uma procissão ao longo das várias comunidades da área. Segundo Carlo Tursi, da coordenação arquidiocesana das CEBs, " é contra nossas autoridades estaduais e municipais que queremos volver o clamor do profeta: Ai dos pastores de Israel que são pastores de si mesmos! Não é do rebanho que eles deviam cuidar?(Ez 34,2b)"


Para o coodenador do 13º Intereclesial das CEBs, Pe. Vileci Vidal, "essa vigília é uma voz profética das CEBs de Fortaleza que deve ecoar por todo o Brasil, para despertar tantas outras comunidades que sofrem os impactos dos grandes projetos nas cidades da copa." Ainda segundo Vidal, "o verdadeiro espírito natalino começa com a vigília das CEBs de Fortaleza, esperando o menino Jesus nascer nas comunidades do trilho."